E se não forem roupas?

Roupas sem uso, com pouco uso e que nunca utilizamos? Todas guardadas e ocupando espaço. Armário apertado que mal consegue respirar. Está na hora de limpar e organizá-lo. Mas, e se nós não nos referimos a roupas? Já pensou nisso?

Havíamos chegado de uma viagem e tínhamos o exato tempo de 24 horas para desarrumar a mala de uma curta jornada, e preparar-nos para outra: agora, longa. Fazia tempo que não viajava para Alemanha, neste período do ano. Sairíamos de 30 graus, aqui em São Paulo, para 5 graus em Frankfurt.

Apesar de ser um longo voo, essa viagem sempre me agrada. Revisito amigos feitos em anos de contato, reforçamos uma cultura totalmente diferente da nossa e, por mais que vejamos, claramente, os benefícios de lá, aumentamos a convicção de como é bom o lado de cá.

Do verão para o fim do inverno, precisava separar roupas e casacos que há tempos não utilizava. Com isso, abri o armário e percebi o quanto de coisas carregava sem necessidade.

Selecionando, para a viagem, aproveitava para tirar o que não me era mais útil para enviar a doação. Guardar e deixar sem vida? Isso mesmo! Uma simples peça que mantemos sem uso, tira a oportunidade de outra pessoa utilizá-la. Quando alguém veste o que há tempos não vestimos, por quaisquer razões, damos vida novamente à roupa, que pode ser útil.

Confesso que antes de começar tal organização, sentia-me cansado, afinal mal havia chegado de uma viagem, já partiria para outra. Por esse motivo, apenas no sábado de manhã é que me dispus a tarefa de arrumar as malas.  Em outras ocasiões, a mala já estaria arrumada desde o dia anterior. Desta vez, entretanto, estava arrumando algumas horas antes de ir viajar. Isso me fez recordar a terceira lei Indiana de Espiritualidade: “Toda vez que você iniciar, é o momento certo”.  Tudo começa na hora certa, nem antes, nem depois.

Ao terminar de organizar a bagagem e de selecionar as peças para doação, ocorreram duas coisas:

– as gavetas, que ainda deveriam ser limpas, denunciavam o quanto de vida ainda estava guardado e que seria retirado e enviado para doação, assim que voltasse de viagem;

– se tudo fosse feito à noite, certamente, apenas o necessário seria realizado, pois estaria vencido pelo cansaço. Logo, estávamos iniciando exatamente no momento certo. Mas o que ocorreu?

Foi algo muito simples: após separar tudo para a viagem e o que era para doação, constatei quanto espaço havia no armário, parecendo-nos mais organizado, limpo e claro.

Quando comprávamos uma camisa, além de entrar apertada no armário, ela, simplesmente, desaparecia no meio de tantas coisas sem vida. Nisso, descobrimos peças novas, que ainda estavam perdidas no meio das sem uso.

Ate aqui, você lê esse relato com ar de obviedade. Se o convidasse a fazer o mesmo, tenho certeza de que várias roupas e peças seriam colocadas para doação. O que gostaríamos, entretanto, não é estimulá-lo a limpar seu armário e tirar roupas sem uso. Gostaríamos que, ao visualizar tudo isso, enxergasse seu armário como você, suas roupas e seus suas emoções.

Quantas peças, quantos sentimentos, tudo sem uso, são carregados sem seu armário e, graças a isso, você suporta muito mais que o necessário? Diariamente, pequenos sentimentos (tristes e felizes) são guardados, engolidos e armazenados em nosso pequeno guarda-roupa.

Por vezes, ficamos pesados, tristes e cansados por sustentar tantos fardos desnecessários, mas que não soltamos, por egoísmo e apego. Não deixamos ir, principalmente, por não conseguir ver o que dificulta. Quando tiramos as roupas que não usamos, somos capazes de enxergar, materialmente, o movimento, mas, quando sugerimos limpar nossos sentimentos, deixando ir o que não nos pertence, podemos ter dificuldades por não ver a materialização.

Com a concretização dessa limpeza de sentimentos, podermos receber novas vivências e competências, que jamais conquistaremos. Não abriremos para a abundância que existe em nossa vida, sem tirar o que está sem vida dentro de nós.

E você? Quantas roupas sem uso estão guardadas dentro de você?

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