Desconectar para reconectar-se

Após uma semana intensa e exigente com reuniões e diversidade de cultura estava na hora de retornar. Havia sido uma experiência excelente conviver com 17 nações por uma semana, discutindo um tema em comum. Imagine o desafio, os pontos de vista, a carga cultural, a linguagem oral, tudo diferente uns dos outros, mas um ambiente onde a opinião e a divergência eram valorizadas para criar o novo. Essa foi a semana extremamente rica, pela oportunidade em participar dela, mas   confessamos que com uma vontade grande de retornar às nossas origens..

Assim que amanheceu, preparamos o que precisávamos e fomos ao aeroporto. Sabíamos que chegaríamos cedo, mas a agenda da semana não havia permitido trabalhar com alguns projetos e reflexões já programados. Planejamento realizado na noite anterior, e pronto: nosso dia, prévio ao retorno, seria dedicado ao que não tínhamos criado, ainda.

Uma pequena pausa no centro, para buscar algumas coisas que procurávamos, e, depois, aeroporto. Assim fizemos, e, ao chegarmos, o embarque ainda permanecia fechado _ teríamos que aguardar por três horas, ainda, para os procedimentos. Movidos pela ansiedade de retorno, não tínhamos percebido o quanto estávamos adiantados. Se por um lado, esperar em um aeroporto pode ser ruim, por outro, seria um tempo para dedicar-nos à escrita do que havia sido negligenciado durante a semana.

Procuramos por nossa cafeteria predileta. O café, lá, é fraco, mas sempre fresco e isso atende nossos dois requisitos para essa bebida. Pedimos um copo pequeno, encontramos uma mesa vazia e, agora tínhamos algumas horas para pesquisar o tema que iríamos escrever. Em cada assunto, já havíamos feito uma seleção de conteúdos que seriam consumidos para completar a narrativa escrita, mas apenas algo era diferente nessa cafeteria no Brasil e na Alemanha.

No Brasil, podemos conectar no sinal de internet da cafeteria, enquanto consumimos. Por algum motivo, que a língua local simplesmente nos impediu de descobrir, o wi-fi  não funcionava. Havia café, computador, várias ideias, mas a internet  ( não ???) estava disponível para complementar o que desejávamos escrever.

Após algum tempo de reflexão, decidimos colocar no papel o que estava dentro e não fora. Escrevemos os assuntos e expusemos nossas experiências e reflexões, ao invés de associá-las ao mundo externo. Confessamos que, ao terminar os textos, os resultados foram excelentes _ saíram bem melhores e mais reais do que havíamos planejado, inicialmente.

Um dos temas foi relacionado ao poder da mudança, e realmente, como é importante adaptar-nos para realizar fora do planejado, quando a situação exige. Falamos sobre sair da zona de conforto e como foi rico usar menos recursos (apesar de certo desconforto inicial), para produzir mais e melhor.

Por fim, após algumas horas de produção, era tempo de parar e almoçar, antes do embarque. Quando chegamos ao restaurante, finalmente, conseguimos conexão com a internet, na mesma rede, que antes não havia funcionado. Há coisas, que não conseguimos entender.

Enquanto o prato estava a caminho, passamos, rapidamente, por nosso instagram. Na primeira imagem que vimos, havia uma frase surreal, pela coincidência. A publicação dizia: “Cale-se e reencontre-se. A imersão, dentro de si, irá ensiná-lo que nem todas as respostas estão no Google.”

Quando a boca cala, nosso coração fala. Simples, nem sempre fácil.

E você? Como está ouvindo as respostas que estão dentro, ao invés de procurá-las fora?

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