Errei e agora?

Em tempos onde estamos diariamente expostos e onde tudo e todos veem e são especialistas em quaisquer assuntos, cresce a cobrança de não cometer erros. Uma das maiores preocupações que percebo nas pessoas é o receio de errar, mesmo ouvindo-se diariamente chavões de que só é passível de erro quem faz. Apesar de que, até certo ponto isso é real, a melhor forma de não errar é não assumir responsabilidades e ficar quieto… você concorda?

Começando este breve texto, lembrei-me da época do mestrado onde, em uma das aulas, ouvimos de um professor que, nas discussões em aulas de doutorandos, era extremamente complexo se obter opiniões, pois todos se cobravam para serem geniais e não falarem algo errado. O mesmo tema era bem mais produtivo quando a discussão ocorria em meio universitário, pois todos tinham menor peso da responsabilidade de sua opinião.

Na época não pensei nisso como sendo realidade, mas depois percebi que a realidade existente é bem próxima àquela aula. Tenho a sensação de que, quanto maior a posição e autoridade em algum assunto, maior o peso em não errar. Isso ocorre pela nossa cobrança, e de certa forma cobrança do meio também, pelo mundo irreal que vemos. Ao assistirmos entrevistas de grandes personalidades é fácil nos apaixonarmos pelo caminho vitorioso percorrido, sem ao menos percebermos que as inúmeras falhas foram alavancas para o sucesso daquela história. Em redes sociais, onde todos são felizes, politicamente corretos ou prodígios em suas carreiras, é tentador cair na ilusão de acreditar que todo esse palco existe, pois passamos longas horas nos bastidores.

A falta de conhecimento do empenho necessário para alimentar os bastidores traz a ilusão de que nossas conquistas podem ser sempre rápidas e fáceis. Isso pode impactar a crença de que não somos merecedores, simplesmente por que as coisas não fluem com a rapidez e o sucesso que imaginávamos. Claro que isso reflete em como nos comparamos às histórias de outras pessoas, mas isso é um tema para conversarmos outro dia.

Ao vermos as narrativas temos a ideia de um caminho apenas contendo acertos e a cobrança pessoal, associada com a extremada concorrência existente, nos condiciona a assumir pouco risco e a querer sempre acertar. Obviamente que não estimulo o erro, apenas gostaria de trazer à discussão que, por medo de errar, deixamos de investir em oportunidades e em nós. Imagine quantas histórias você conhece em que se perderam oportunidades com medo de errar, ou medo de não dar certo. Tenho certeza de que não sou o único que conhece essas histórias.

Há alguns anos sempre ouço que precisamos estar atentos para não perdermos o cavalo selado quando este passar em nossa frente. O que acontece quando o cavalo selado está a sua frente e, por medo, você perde o tempo de salto? Neste ano, estava em uma reunião com outros profissionais do grupo, onde tivemos a oportunidade de ter uma sessão de perguntas e respostas com o CEO da nossa empresa. Entre as várias perguntas fantásticas, uma chamou a atenção de grande parte do grupo e foi algo extremamente simples. 

“E o que o Senhor faz quando percebe que tomou uma decisão errada?”

Por segundos estava perceptível que todos os olhares estavam atentos realmente à resposta. Em alguns instantes talvez houvesse uma fórmula mágica de como agir em momentos de erros, ou talvez alguma experiência que mostrasse a complexidade e maestria necessária para sair de situações geradas por decisões erradas. A resposta surpreendeu a todos, por mais óbvia que ela fosse.

“Quando percebo que a decisão foi errada, eu simplesmente coloco as ações necessárias para mudar e sair do erro”.

Por vezes, a obviedade de uma resposta como essa, pode gerar dúvidas de sua eficácia. Porém, observei que a consciência de assumir a responsabilidade e entender que, ao criar o erro, conseguirei também criar a correção necessária. Não gosto de fantasias e receitas mágicas, a simplicidade da vida real é o que nos traz os grandes aprendizados. Sim, antes de agir avalie, estude, conheça onde irá pisar e faça! 

“Só pode errar quem faz, quem não age não erra por ter feito algo. Se errar, observe isso apenas como um retorno e que existe outra maneira de agir, e então ajuste. Se eu posso criar o erro, posso transformá-lo em acerto”.

E você, como reage com decisões erradas?

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